quarta-feira, 12 de maio de 2010

A ética dos pequenos atos

Postado por Renaly às 21:20
O que a história real de um político que fura a fila nos ensina sobre liderança
(...) É incrível como aprendemos sobre pessoas usando a técnica da "observação passiva". Trata-se, simplesmente, de prestar atenção ao comportamento humano, especialmente nas pequenas coisas, sem interferir. Tive recentemente uma experiência com a qual pude aprender sobre coerência de conduta. Eu estava na sala de embarque do aeroporto. Também estava ali um conhecido e controvertido político, desses que passam a maior parte do tempo dando explicações sobre suspeita de corrupção.
Quando o funcionário anunciou o embarque, recomendou que se apresentassem primeiro os passageiros das filas 15 a 28. O demais deveriam esperar (...) O político, porém, foi o primeiro a se postar no portão de embarque. Certamente estava no fundo do avião, pensei. Entretanto, quando entro no avião, ele está sentado em uma das primeiras poltronas.
Durante o voo refleti sobre o episódio. Por que o fato me incomodava? Ele não havia atrapalhado a viagem, nem comprometera a segurança. Sim, mas, por menor que seja, o descumprimento a uma norma de conduta - ponderei - constitui uma contravenção. Pequena, inocente e até insignificante, mas mesmo assim, uma contravenção. Do episódio sobraram uma constatação e um aprendizado. A constatação: certamente, para ele, o negócio é levar vantagem, mesmo descumprindo as normas, do avião ou da República. O aprendizado: a ética nas grandes coisas começa nas pequenas coisas - positivas e negativas -, principalmente se for o líder de um grupo. Sempre alguém notará as sutilezas de seu comportamento cotidiano e pensará: "Ele é assim".
Para terminar a história do político, o motorista que me apanhou no aeroporto era seu eleitor fã, a ponto de emocionar-se ao vê-lo. E comentou: "Ele é um bom político - rouba, mas faz". O que me levou a perguntar-lhe: "O senhor acha que ele poderia fazer sem roubar?". "Mas ele é um político... São todos assim", ponderou (...)
(Eugenio Mussak - Você S/A - novembro de 2006)
Encontrei este fragmento de texto em uma das minhas provas de gramática. Estamos em ano de eleição, apesar de, todos os olhares firmarem-se em torno da copa. Como cidadã, tenho direito de reinvidicar meus direitos, querer justificativas de projetos e respostas para as minhas dúvidas de todo e qualquer político, afinal, quem irá coloca-lo no poder "sou eu"! Esse conceito conformista do taxista do texto acima explica muita coisa. Segundo ele, quem detém o poder, e pode ajudar os outros, fica livre de freios morais, aplicáveis aos que dependem de sua compaixão.
Cara, somos o país do futebol, por que se incomodar com política? Na minha concepção, temos que nos preocupar MUITO com política, e também com os nossos representantes. Sabendo dar cartadas certas nesse jogo, podemos ganhar notoriedade ante todo o mundo, não só a ele, mas também a nós mesmo! Temos a obrigação de ter bons argumentos para poder ter a capacidade de eleger algum político, e não apenas usar o argumento clichê de: "porque minha família vota nele", ou até mesmo, nos vendermos por 10 reais, 15, 20, como se esse dinheiro durasse o ano inteiro e, satisfizesse todas as nossas necessidades diárias. Devemos mudar o nosso próprio conceito de política, ou seria politicagem?
Não se trata apenas disso, e sim de obrigação. Um político é eleito para cuidar dos interesses da sociedade, e não dos seus próprios. Sobre isso, diria Platão: "Ética sem competência não se instala. Competência sem ética não se sustenta". A não ser, é claro, que levar vantagem em tudo seja um traço cultural, o que significa apunhalar a meritocracia. E isso não convém a ninguém que considere a ética um valor, especialmente se for um líder.

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