domingo, 23 de janeiro de 2011

A Alice de Tim Burton

Postado por Renaly às 00:13 0 comentários


Alice no País das Maravilhas talvez seja uma das histórias infantis mais queridas pelos adultos. Primeiro porque existe encanto e beleza e um certo toque de magia e absurdo, como em toda história infantil inteligente; depois, porque as mensagens subliminares escondidas em cada episódio, cada aventura vivida pela menina que cai na toca de um coelho e vai esbarrar em outro mundo, onde nada parece fazer sentido, dá margem às interpretações mais diversas. Têm pesquisadores que até duvidam que Alice no País das Maravilhas tenha sido escrito para crianças.

Baseado no tradicional Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, a Alice de Tim Burton é uma pós-adolescente. Em pânico por ter de se casar aos 19 anos, Alice foge e mais uma vez cai na toca do coelho. Durante sua estadia no País das Maravilhas, vai aprender a conhecer a si própria, adquirir auto-confiança e enfim poder voltar à vida real preparada para o que a espera. Em resumo, o filme é a viagem de autodescoberta de uma jovem inserida num mundo adulto onde não vê sentido e ao qual não faz a menor questão de fazer parte por causa da sua imaturidade.

A Alice do Burton, ao menos para mim, não decepciona nem um pouco. É exatamente o que eu esperava de um diretor como ele. Vale deixar claro que o filme do Tim Burton bebe na fonte do clássico de Lewis Carroll, recria o universo onírico do País das Maravilhas, mas conta outra história. Ou, para ser mais precisa, o diretor se permite um exercício que qualquer leitor bem treinado e de imaginação fértil adora fazer: imaginar o que acontece quando a história acaba. Quem nunca ficou pensando se a Cinderela e o príncipe foram mesmo felizes para sempre?

A fantasia é um alimento para a alma humana tanto quanto água e glicose são vitais para o corpo. Mas o que é preciso entender é que, nos tempos atuais, a fantasia flerta com a vida real e busca numa linguagem mais cotidiana, novos adeptos para o reino do sonhar. Como diz a Andrea Santana: "a mitologia clássica é fabulosa e deve ser preservada, mas novas histórias que bebem na fonte dos clássicos são sempre bem-vindas, ao menos para mim. Sendo que o conceito de novo atualmente não pode mais ser dissociado da ideia de recriação".

E é isso que Tim Burton faz, ao recriar Carrol com pitadas da sua própria mitologia pessoal. Transpõe para a tela do cinema um delírio imaginativo de um autor visionário, que há 150 anos (mais ou menos) foi capaz de conceber um mundo colorido e exagerado para explicar a uma criança que os adultos são criaturas muito esquisitas mesmo. Mas, como é Tim Burton, ele não se furta a inserir neste delírio de Carrol, alguns elementos do seu mundo: vilões bonachões e ridículos como a Rainha Vermelha Cabeçuda (reatualização da rainha de Copas do original) e mocinhas sombrias e com um sorriso meio ambíguo, como a Rainha Branca. O reino da Rainha Branca é mais assustador, na minha concepção, do que o coloridíssimo jardim da Rainha Vermelha.

A irmã de Alice é casada, uma dama da sociedade, obediente, convencional. Alice quer é transgredir, fugir do destino que a aguarda. Mas para isso, precisa amadurecer e dar-se o direito de enlouquecer um pouco. Quando criança, ela ouviu do pai que as pessoas loucas são as melhores e a loucura aqui é usada como metáfora para as pessoas mais audaciosas, corajosas, que fazem o próprio caminho. Não é à toa que o diretor opta por transformar o Chapeleiro, figura emblemática da obra de Carrol, em um líder excêntrico de uma rebelião contra a Rainha Vermelha. A loucura do Chapeleiro de Tim Burton é a dos visionários e dos apaixonados.

Outra sacada genial do diretor é transformar o País das Maravilhas em submundo. Durante séculos, a ideia de submundo, mundo inferior, foi associada ao inferno, mas vamos dar o nome correto aos bois: O que se convencionou chamar de submundo na verdade é tudo o que foge ao padrão, tudo o que choca a norma socialmente aceita e estabelecida. E é do underground que na maioria das vezes surgem os sopros de renovação, depois incorporados e "legitimados" pelo mundo de cima. Além disso, nenhuma viagem de autodescoberta que se preze, é válida se não houver uma descida ao "inferno". Portanto, o submundo, em se tratando de localização geográfica, é o local perfeito para assentar o País das Maravilhas. A fantasia, afinal, tem sua morada no inconsciente, o submundo da nossa consciência.

Quem vai ao cinema esperando ver a Alice do desenho da Disney, atenuada e infantilizada para as crianças da década de 50, com certeza vai se decepcionar. Além disso, Tim Burton não se satisfaz em recontar à sua maneira uma história que todos nós já conhecemos. Antes, o diretor se dá o direito de recriar Lewis Carrol, mas de avançar para além do País das Maravilhas, desenvolvendo uma trama em que Alice é a protagonista e não apenas a menina que cai na toca do coelho e descobre um mundo fabulos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Planetinha Macho

Postado por Renaly às 02:39 0 comentários
Nunca postei sobre homens (não que eu lembre), sempre achei desnecessário e, principalmente, não tinha o que falar sobre eles, mas, vêm acontecendo fatos na minha vida ultimamente em que eles devem ser citados, bem mais pelas nossas diferenças e pelo jeito de ser e, não pelo o que ele representa (para uma mulher).
Segundo a revista Nova, uma das maiores necessidades do homem Alfa é pertencer ao clube “Ele precisa de tempo e espaço entre outros homens para expressar agressividade, conviver em bando. No seu clubinho, dedica-se a atividades como apreciar cerveja ou falar de mulher. Necessita desse momento como forma de expressão da sua virilidade.”
Nós, mulheres, temos inveja de bundas duras, bolsas grandes e coloridas, sapatos incríveis e confortáveis e braços que não incham depois dos 30. Mas isso é fichinha perto do que sentimos ao ver um grupo de homens unidos celebrando a vida. Existe algo de mágico, intenso e verdadeiro na amizade entre os homens que uma mulher jamais experimentará. Sim, temos amigas, irmãs e amigos. Mas em algum momento nossa amiga vai nos apunhalar, nossa irmã vai competir por atenção e nosso amigo vai tentar nos "comer".
Vocês não, vocês passaram por coisas que a gente nem imagina, juntos, se amando, se abraçando, bêbados, caindo, rindo até quase morrer, colocando isqueiro em pum alheio, se xingando daquele jeito que mais parece um elogio, se empurrando como se fosse o abraço mais apertado do mundo. Homem quando encontra os amigos fica com aquele semblante de criança quando ganha o brinquedo mais esperado do ano. Mulher dá aquele grito falso, pulinhos, se agarra e você vê na hora que aquela linda amizade não dura mais do que seis meses. Não tente ligar para um homem quando ele estiver “na noite dele com os amigos”. Algo de extraterrestre acontece. Trata-se de outra galáxia. É o mundo paralelo da real felicidade. Mulheres, esses seres, não entendem, nem podem, não está no DNA feminino ser tão feliz apenas por ser bobo. É o momento de ser macho, muito macho, com os machos. Falar de pipius e bundas e peitos e mulheres do trabalho e arrotar e ser grosseiro e, principalmente, se libertar, em um ambiente seguro e familiar, da dor que é gostar de uma mulher- esses seres incompreensíveis, complicados e insatisfeitos.
Naquele tocar de copos de chope, naquele urro tribal, lê-se: chega do que não se entende, chega de nunca agradar, chega de nunca saber, chega do que é complicado, eu agora estou com os meus e eles me aceitam e eles me entendem e eu, meu Deus, estou tão feliz! É quase patético quando as mocinhas saem para tentar alcançar esse nível de alegria, esse requinte de intimidade. A gente se diverte, fala absurdos sexuais (se bobear somos mais toscas que vocês nessa hora e expomos nossos namorados muito mais do que eles nos expõe) e consegue relaxar. Mas é diferente, é muito diferente. Tem sempre uma mexendo no cabelo incomodada que a do lado veio muito bonita. No final sempre descamba prum chororô de que o amor não existe, o ex não presta, o novo fulaninho não respondeu a mensagem de texto. A maior prova de que as mulheres são fracas em amizade é que a maioria acaba ficando super amiga das namorada dos melhores amigos do namorado.
Homens sabem combinar peregrinações pela Europa, acampamentos no Ushuaia, campeonatos internacionais de pôquer, …mulheres sabem combinar “encontro para vender as minhas bijus lindas com precinhos especiais e bolinhos de fubá”. Somos chatas, muito chatas. Invejamos muito sua amizade com seu melhor amigo. Mas a nossa vingança é que, lá no fundo (isso sua mulher nunca vai te falar) achamos tanto amor (aquele que você nunca dá para uma mulher com medo de virar escravo dela) um pouco viadagem demais. Comparar pintos, não viver um sem o outro, morrer porque essa quinta não tem “encontro da galera”. E a gente em casa querendo atenção, de creminho de açai e baby doll. Tsc, tsc.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A consciência débil da nossa autenticidade.

Postado por Renaly às 01:23 0 comentários
A consciência que te acompanha no que vais sendo é o puro registo disso que vais sendo para o poderes ser, se quiseres, depois de já ter sido. Mas no instante de seres o que és, o que és é apenas, por uma decisão anterior ao decidires. O que és é-lo onde a tua realidade profunda em profundeza obscura se realizou. O que és é-lo no absoluto de ti. A consciência testifica-nos apenas como o ser privilegiado que sabe o que é por aquilo que vai sendo e pode assim reconverter-se à posse iluminada disso que vai sendo. A consciência constata mas não interfere senão para se não ser mais o que se foi, ou mais rigorosamente, para se não querer ser o que se é - o que é ser-se ainda, embora de outra maneira.
Porque se neste instante me sobreponho, ao que sou, outra maneira de ser - a consciência que me altera o primeiro modo de ser é a paralela iluminação do modo de ser segundo. Decidi ainda antes de decidir, quando decidi não ser o que primeiramente decidira. Assim no torvelinho dos actos que me presentificam e da consciência desses actos, sempre o insondável de nós se abre para lá do que podemos sondar. Sempre a realidade de nós é a realidade original que na origens se gera. Sempre a autenticidade de nós está a uma distância infinita das razões que a justificam.

Vergílio Ferreira, in 'Invocação ao Meu Corpo'

domingo, 2 de janeiro de 2011

É ter na mente

Postado por Renaly às 23:31 0 comentários





Por vezes eu sinto sua falta. E em não escutar sua voz, não ver o seu riso, e sem olhar nos teus olhos... Apenas lembranças. Mais de três anos sem ouvir suas teorias malucas e sem poder discutir com você sobre elas, sem rir das suas piadas sem graça e sem fingir estar irritada com seus gracejos. Três anos e alguns meses sem te consolar nos momentos tristes e sem receber sua proteção e seu carinho nos momentos difíceis.
Estamos distantes. Poucas vezes te sinto perto. A amizade que nos uniu vence essa distância, ela é mais forte do que o tempo, mas, não mais forte do que meu amor por você! Porque é esse que atravessa a imensidão do espaço e transcede o limite da vida, é isso que eu sentirei por você o resto da minha vida.
Hoje, lembrando das nossas coisas, do quanto você foi importante pra mim, de quando você me chamava de 'Renaly hell', ou até mesmo de 'minha filha'! Era quando eu me derretia toda, era quando eu sentia que você me amava, que se importava comigo, que queria estar sempre ao meu lado, seja qual fosse o momento... Você faz tanta falta!!!!
Tento entender sua atitude, apesar de surgir mais perguntas que respostas. Quando sentia o frio na barriga, e em seguida a calmaria, sabia que era você que estava ao meu lado, olhando por mim. Você se faz presente no meu choro da noite de ontem até a minha risada da tarde do dia seguinte.
 

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